A única resposta curta a esta pergunta é: é sempre recomendável instalar um para-raios para proteger pessoas e edifícios contra descargas elétricas atmosféricas. No entanto, as exigências desta proteção variam em função de parâmetros muito diversos, como a densidade de raios na zona, as dimensões da estrutura, a sua utilização ou o material em que foi construída. Por este motivo, as normas de proteção contra o raio incluem um cálculo de risco que, em alguns países, é transposto para regulamentos que tornam essa análise obrigatória. Além disso, a imprevisibilidade do fenómeno e o seu elevado poder destrutivo fazem com que, em determinadas circunstâncias e de acordo com algumas normas locais, a sua instalação passe de recomendável a obrigatória. A instalação de um sistema de proteção contra o raio (SPCR) requer, em qualquer caso, a aplicação do método técnico específico para a correta conceção desse sistema, em conformidade com a norma aplicável¹,2.
O para-raios é um dispositivo que cumpre uma função principal: receber (ou captar de forma ativa, no caso dos Para-raios com Dispositivo de Ionização (PDI)) a descarga de um raio e conduzi-la de forma segura à terra, como medida de proteção de estruturas e de tudo o que se encontra nelas, tanto equipamentos como seres vivos.
A proteção contra descargas atmosféricas pode ser realizada com diferentes tipos de para-raios, desde os de ponta simples até aos que, como os Para-raios com Dispositivo de Ionização (PDI), utilizam tecnologia de captação para intercetar descargas. Algumas normas contemplam disposições específicas para esta tecnologia de segurança contra descargas atmosféricas².
Os sistemas de proteção contra o raio incluem outros dispositivos complementares e necessários para um SPCR completo, como os protetores contra sobretensões, e acessórios úteis para a sua manutenção e eficácia, como os contadores de raios.
Quando é necessário um para-raio? Que tipo de para-raios devo escolher?
A escolha do tipo de para-raios para proteger uma estrutura só está especificada em algumas normas. Existem dois tipos diferentes, classificados segundo a tecnologia que utilizam: pontas Franklin e Para-raios com Dispositivo de Ionização (PDI).
Os sistemas de captação através de pontas e malhas consistem em instalar captores em todos os possíveis pontos de impacto e em distribuir e dissipar a corrente de descarga do raio por uma rede de condutores. As secções e os materiais devem cumprir o estabelecido nas normas que definem este tipo de sistemas (série IEC/EN 62305, série IEC/EN 62561).
Os para-raios com dispositivo de ionização (PDI) funcionam aproveitando as características elétricas próprias da formação do raio. Este fenómeno inicia-se com um traçador descendente que se propaga em diferentes direções e que, ao aproximar-se do solo, pode impactar qualquer objeto. Os PDI distinguem-se pela sua capacidade de emitir, antes de outros elementos, um traçador ascendente contínuo, o que os torna o ponto preferencial de impacto dentro do seu raio de proteção. Desta forma, o para-raios atua como ponto de impacto controlado, conduzindo a corrente do raio de forma segura à terra e evitando danos na estrutura. As principais normas que regulam estes sistemas de proteção contra o raio são a UNE 21186, a NF C 17-102 e a NP 4426².
A Aplicaciones Tecnológicas dispõe da gama de para-raios com dispositivo de ionização (PDI) DAT CONTROLER®. Nesta família, o DAT CONTROLER® REMOTE conta com uma função de autodiagnóstico que permite avaliar remotamente o estado do para-raios e envia alertas multicanal sobre o seu estado. Além disso, tanto os para-raios DAT CONTROLER® PLUS como os DAT CONTROLER® REMOTE possuem certificação ATEX, certificado de produto N da AENOR e certificação UL de qualidade e segurança.
Quando é obrigatório instalar um para-raios? O que diz a norma? Existe alguma norma internacional?
A obrigatoriedade de instalar um sistema de proteção contra o raio num edifício está prevista em normas que podem variar de país para país, mas, em geral, depende de vários fatores, como a densidade de raios nas diferentes regiões de cada território. Em alguns países, estruturas críticas como instalações que albergam materiais inflamáveis ou explosivos, hospitais, centros educativos ou edifícios de determinada altura estão sujeitas a regulamentação específica que obriga à sua proteção.
A referência internacional para a instalação de sistemas de proteção contra o raio é a IEC 62305¹, publicada pela Comissão Eletrotécnica Internacional com o objetivo de servir de base a normas e regulamentos em todos os países, mas não é obrigatória nem implica a anulação das normas nacionais.
A IEC 62305 serve de base às normas desenvolvidas noutros países, como Espanha, França ou Brasil, por exemplo. Nesta norma, o método base para calcular o risco de descarga de raio é desenvolvido na norma IEC/EN 62305-2¹. Esta norma define um procedimento de avaliação do risco para uma estrutura e, uma vez fixado um risco tolerável, permite selecionar medidas de proteção para reduzir o risco abaixo desse limite.
O cálculo de risco, segundo a IEC 62305, é o método técnico utilizado para determinar se um edifício necessita de proteção contra o raio. Por outro lado, em cada país pode existir uma norma (não obrigatória) e um conjunto de leis ou códigos com caráter regulamentar.
Além disso, em países como Espanha, França e Portugal existem normas específicas sobre como instalar para-raios com dispositivo de ionização (PDI), como os da família DAT CONTROLER da Aplicaciones Tecnológicas. Estas normas especificam os ensaios que definem as características do PDI² e como calcular o seu raio de proteção, além de detalharem as instruções para a sua instalação. Outros países, como Angola, por exemplo, têm as suas próprias normas sobre proteção com PDI, baseadas nas anteriormente referidas.
Existe alguma norma de proteção contra o raio com alcance internacional?
A IEC 62305 é uma norma publicada pela Comissão Eletrotécnica Internacional com o objetivo de servir de base a normas e regulamentos em todos os países, mas não é obrigatória nem implica a anulação das normas nacionais.
Recebi um impacto de raio. O que devo fazer agora?
Após uma tempestade elétrica, surgem dúvidas. Terei recebido um impacto? O que devo fazer nesse momento? As normas de sistemas de proteção contra o raio estabelecem protocolos pós-impacto para que a eficiência do sistema de proteção contra descargas atmosféricas não fique comprometida¹,2.
As instalações devem ser sempre revistas após um impacto, mas também se recomendam inspeções periódicas para verificar o estado da instalação. Por exemplo, a IEC 62305¹ sugere que, para sistemas de nível I ou II (risco elevado), sejam realizadas inspeções visuais anuais e inspeções completas de dois em dois anos, enquanto para os níveis III-IV são admitidas inspeções visuais de dois em dois anos e inspeções completas de quatro em quatro anos.
Além das inspeções visuais, outros dispositivos dos sistemas de proteção contra o raio (SPCR), como os contadores de raios, podem determinar se esse impacto ocorreu antes de uma inspeção visual. Estes contadores podem ser de tipo mecânico ou mais avançados, como o SMART LIGHTNING LOGGER da Aplicaciones Tecnológicas S.A., que permite receber um alerta se o para-raios receber um impacto, além de ser capaz de medir outros parâmetros úteis para a melhoria dos sistemas de proteção ou para a gestão de reclamações.
Notas
- Série IEC/EN 62305: Proteção contra o raio. Inclui avaliação de risco, conceção e manutenção de sistemas de proteção contra o raio.
- Normas específicas de para-raios com dispositivo de ionização (PDI): UNE 21186:2011 (Espanha), NF C 17-102:2011 (França) e NP 4426:2013 (Portugal). Incluem avaliação de risco, conceção e manutenção de sistemas de proteção contra o raio, bem como os ensaios aplicáveis aos PDI.
- ABNT NBR 5419:2015
- NA 33:2014 Proteção contra descargas atmosféricas



